quarta-feira, 21 de março de 2012



Vez ou outra é tomada de uma fúria imensa, de uma raiva que não cabe no peito e escorre pelos poros, pelos olhos ou pelas coisas jogadas janela a fora...


Raiva de tudo que a cerca, das pessoas, dos olhos e da falta de olhar, das palavras desperdiçadas e da falta delas em momentos precisos, das idiotices que não deviam causar nada, só desprezo, mas é impossível desprezar nessas horas.


Raiva de futilidades, vaidades, altivez e até da humildade exacerbada, glorificada em dias atuais por pessoas que nem sabem o significado da palavra, aliás, a ignorância é uma coisa que lhe causa raiva nesses dias.
Raiva dos espelhos, do escuro profundo e da claridade excessiva, de vozes altas, de ruídos, do movimento acelerado das coisas.
Raiva de perder tempo, de olhar para o portão, de olhar suas mãos, os novos desenhos de seu rosto.
Raiva das próprias vontades, do desejo de distanciamento e da ânsia por estar perto, sentir o cheiro.
E chora, deixa escorrer na falsa esperança que tudo passe e não volte mais.
E acorda, coloca os pés no chão e anda como se não tivesse dor, afinal é um outro dia, mesmo que nada mude ou tudo mude.


De alma silenciosa...


Como se tudo o que cerca não tivesse sentido.


Alguns esperanças desfeitas, outras nascendo, mas ainda sem formas.


Tudo desforme, sei que nem tudo precisa ter forma pra existir, mas letras embaralhadas não tem sentido, ou então sou eu que não sei ainda montar as palavras necessárias.


Falta inspiração e também expiração...sobra exasperação.


As cores que vejo agora são artificiais...






Eis momento que eu realmente estou onde não devia.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Tarde metropolitana

A raiva se apossou de mim, talvez
fosse o calor, o suor ou as pessoas que nos esbarram sem nos ver, ou eu seja
mais provinciana que pensava. Todo alvoroço dos motores e buzinas, os
xingamentos pela falta de paciência, o vai-e-vem apressado e a inércia diante
do caos.
A falsa segurança trotava em seus
cavalos motorizados por entre as pessoas invisíveis, o excesso e a miséria
transitavam por entre as portas abertas e as promoções anunciadas.
Tudo é descartável, plástico, olhos,
boca, peitos, o que se come, o que se bebe, o que se cheira, flores! E o sol a
contorcer tudo!
Da raiva a piedade foi um átimo. A
tragédia coletiva se encerra no aperto do coletivo, onde os rostos mostram
feições parcas, repletas de cansaço e um fio de esperança ao sinal da cruz por
entre o caminho. O desejo é que no fim do arco-íris haja um lugar para recostar
e dar o descanso merecido ao corpo maltratado.
Ser consciente com um quociente
injusto é tarefa impossível, requerer forças de uma massa cansada é covardia.
O que resta é o dia seguinte, quando
o sol novamente anunciar que mais um dia se repete. Por hoje, sol posto, dia
morto.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Inútil qualquer tipo de definição diante desse caótico estado de espelhos quebrados, páginas em branco e livros decorados.
O que me resta são as incertezas, as dúvidas e os sentimentos que explodem em mim com tal força que me fazem voar.

Não sou, estou, estou aqui e em mil lugares ao mesmo tempo. Estou dormindo em minha cama, mas estou no ouvido de outra pessoa. Estou sonhando, mas estou com olhos abertos a ver passar cada segundo do dia. Estou encharcada nos olhos, mas minha alma vibra com a presença de vozes, risadas e palavras que sempre me cercam.

Em mim habita água e fogo, clareza e mistérios, vida e morte a todo instante.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O que me incomoda é toda essa dificuldade em respirar.
Esses dias que ora me estremecem, ora me massacram, eu encaro de frente, mesmo que doa, e às vezes dói muito.
Viver dói e dá prazer.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Desabafo

No ápice da coisa você quer esmurrar, gritar, blasfemar contra tudo, mas depois ficam as cinzas e a dor. Gostaria que doesse mesmo, que eu sentisse essa dor toda de uma vez, mas ela vem aos poucos, lenta, destruindo devagar, até você agonizar e dar o último suspiro...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sou matéria morta, em estado de putrefação.



Vermes rastejam em meus restos e o resto se mistura a terra.



Sou terra fértil que germina matéria morta.